O OFÍCIO PARVO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

PREFÁCIO

O Ofício Parvo está ligado à devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O Pequeno Ofício de Nossa Senhora, também conhecido por Horas Marianas, de Nossa Senhora, é uma forma abreviada do Ofício Comum de Nossa Senhora na Liturgia das Horas.

CAPÍTULO I - LIVRO I

QUANDO SURGIU A DEVOÇÃO AO ESCAPULÁRIO DO CARMO?

Foi em 16 de julho de 1251 que Nossa Senhora, aparecendo a São Simão Stock, superior geral dos Carmelitas, lhe entregou dizendo:

"Recebe meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas."

A PRIMEIRA PROMESSA DO ESCAPULÁRIO

"O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas".

A SEGUNDA PROMESSA DO ESCAPULÁRIO

Privilégio Sabatino, pois "Sábado" em Latim é Sabbatum.

70 anos depois, apareceu Nossa Senhora ao Papa João XXII e confirmou a primeira promessa e acrescentou outra: a promessa do privilégio sabatino – em que a alma será livre do Purgatório se lá estiver, no sábado a seguir à sua morte.
O Papa João XXII escreveu: “Esta santa indulgência eu portanto aceito; eu confirmo e ratifico na terra, assim como Jesus Cristo graciosamente garantiu no Céu, em consideração aos méritos da Virgem Maria.”

Este Privilégio Sabatino foi aprovado e confirmado por 16 Papas, incluindo São Pio V (1566).

Entre eles , temos o Papa Paulo V, que no ano 1613 disse:

"É lícito aos Padres Carmelitas pregar que os católicos podem crer piedosamente no auxílio prometido às almas dos irmãos e membros da Confraria da Virgem Maria do Monte Carmelo, a saber, que a Virgem Maria irá assistir por suas contínuas intercessões, sufrágios e méritos e ainda por sua especial proteção, particularmente no primeiro Sábado (cujo dia foi consagrado a Ela pela Igreja) após a morte, às almas dos irmãos e membros da Confraria que, deixando esta vida, em caridade devem ter usado o hábito[Escapulário] e devem ter observado a castidade de acordo com o seu particular estado de vida, e também tenham recitado o Pequeno Ofício(Ofício Parvo) ou, se incapazes de ler, tenham mantido os jejuns da Igreja, e tenham se abstido do consumo de carne às Quartas-feiras e Sábados, a menos que a Festa da Natividade de Nosso Senhor caia num desses dias."

O Papa Bento XIV declarou que os fieis devem confiar no Privilégio Sabatino e que nem a Bula original nem a aparição da Mãe Santíssima podem ser contestados (Opera omnia, 1767).

O Privilégio Sabatino, dessa maneira, consiste essencialmente na libertação antecipada do Purgatório através da intercessão especial e petição de Nossa Senhora no dia consagrado a Ela, Sábado.

COMO RECEBER O PRIVILÉGIO SABATINO?

São necessárias as seguintes condições:

O uso do Escapulário Marrom de Nossa Senhora do Monte Carmelo. O usuário deve ter o Escapulário oficialmente imposto. Esta recepção oficial é feita por um Sacerdote que coloca o Escapulário na pessoa e, então, recita a benção e imposição própria. É necessário fazer isso apenas uma vez na vida;2. Viver uma vida de castidade de acordo com o seu estado de vida;

3. A recitação diária do Pequeno Ofício da Virgem Maria.

Obs: Em vez de recitar o Pequeno Ofício, as pessoas que não podem ler podem observar todos os jejuns observados pela Igreja Católica e, em adição, abster-se de carne em todas as Quartas-feiras e Sábados do ano, exceto quando o Natal cair em um desses dias.

A faculdade de mudar essa condição para ganhar o privilégio foi garantida a todos os confessores pelo Papa Leão XIII, no Decreto da Congregação das Indulgências, de junho de 1901. De acordo com este decreto, qualquer padre com faculdades diocesanas pode comutar a recitação do Pequeno Ofício por alguma obra piedosa, normalmente a recitação diária das 15 dezenas do Rosário.

O Ofício Parvo é uma grande riqueza da Igreja, sendo citada por muitos santos, entre eles Santo Afonso Maria de Ligório, São Luiz Maria de Montfort, entre outros...

A IMPORTÂNCIA DO OFÍCIO PARVO

Além de garantir o privilégio sabatino, o Ofício Parvo é uma arma poderosíssima, meio de obter muitas graças físicas e espirituais.

"Virão tempos amargos em que se terá deixado o Ofício Parvo, e se terá enfraquecido o espírito! Ai daqueles que tenham tomado parte nisso". Viu que seu Anjo a conduzia pelos braços em levitação até pô-la no piso, conduzindo-a ao Coro."

Num degrau que havia, ouviu uma voz horrível que dizia: 

"Com todo meu poder impedirei a reza deste maldito Ofício Parvo, porque com isto debilitam minhas forças e me destroem" 

Elevando as vistas em direção ao teto da Igreja viu uma estrela formosíssima com o nome de Maria.

Entrou no Coro e ali a Santíssima Virgem cumprimentou-a pelo triunfo obtido, tranquilizando-a interiormente. É de se notar que Madre Mariana, vendo a depressão do terreno, perturbou-se, perdendo sua paz ordinária, pois se perguntava porque Nosso Senhor teria permitido tal sofrimento e se teria ocultado seu Santo Anjo da Guarda; mas no Coro a Santíssima Virgem a tranquilizou.

A seguir as freiras foram chegando para rezar o Ofício Parvo, pois parece que nessa época toda a Comunidade o rezava às quatro horas da manhã. Isso era obrigatório às noviças e recém-professas, até o sexto ano de profissão. As demais religiosas rezavam-no por devoção. Bem se pode compreender o fervor extraordinário com que Madre Madre Mariana rezaria o Ofício naquela manhã.

As religiosas, ao longo dos séculos, mantiveram o Ofício Parvo da Santíssima Virgem, o qual jamais deixou de ser rezado, porque nisto a Comunidade das Concepcionistas tinha cifrada a felicidade do Mosteiro 

CAPÍTULO II - LIVRO I

BREVE EXPLICAÇÃO DO OFÍCIO PARVO

OFÍCIO - A palavra “ofício” vem de “opus” que em latim significa “obra”.

Devemos reservar um momento para parar em meio a toda a agitação da vida e recordar que a Obra é de Deus.

Trata-se da oração quotidiana em diversos momentos do dia, através de Salmos e cânticos, da leitura de passagens bíblicas e da elevação de preces a Deus.

Com essa oração, a Igreja procura cumprir o mandato que recebeu de Cristo, de rezar incessantemente, louvando a Deus e pedindo-Lhe por Si e por todos os homens.

PARVO - São chamadas de “parvas” as versões simples ou simplificadas das orações e liturgias, uma vez que vem de “parvus”, que em latim significa justamente “pequeno”.

Portanto, o “Ofício Parvo de Nossa Senhora”, também conhecido como o “Pequeno Ofício de Nossa Senhora”, é uma forma mais breve do “Ofício Comum de Nossa Senhora”.

São elementos do Ofício Parvo de Nossa Senhora: textos bíblicos com maior ou menor referência ao mistério de Maria, com salmos e antífonas apropriadas, reponsórios, intercessões e oração, toda de um caráter mariano. Pois é em Maria que está toda a ênfase do Ofício, sempre ligada, porém, ao mistério de Cristo e ao plano de Deus para a salvação e santificação da Humanidade.

CAPÍTULO III - LIVRO I

HORAS CANÔNICAS:

AD MATUTINUM - São compostas de noturnos, que correspondem às vigílias da noite, e são rezadas antes do amanhecer, geralmente seguidas pelas laudes

Refere-se ao nascimento do Senhor e sua vida dolorosa no Gethesemani

Recitado à meia noite

AD LAUDES – O nome Laudes deriva de laudate, que significa louvai, palavra repetida com frequência nos salmos desta hora, que tem o louvor como tema principal.

Rezadas ao amanhecer, elas formavam o final da vigília da sinaxe.

Celebravam a chegada da luz ao mundo, devotando a Deus nossos primeiros pensamentos do dia

Refere-se a Ressurreição e Assunção de Maria, que segundo uma piedosa crença ocorreu durante a aurora

Recitado após as Matinas

AD SEXTAM – A sexta, o meio dia, é uma hora de culminância: foi nessa hora que Adão e Eva comeram o fruto proibido, que os três anjos visitaram Abraão, e que Cristo foi pregado na cruz.

Recitado ao meio dia

AD VESPERAS – São rezadas ao ‘acender das lâmpadas’ e por isto eram originalmente chamadas Lucernalia.

Assim como as Laudes consagram o início do dia, as Vésperas consagram o seu término, e ambas essas horas possuem estruturas similares

Refere-se a descida da cruz, o corpo de Jesus Cristo nos braços de Nossa Senhora, também a instituição da Eucaristia

Recitado às seis horas da tarde

AD COMPLETORIUM – Completa as horas do dia. Seu tema é o de nossa entrega aos cuidados de Deus ante de iniciarmos nosso repouso.

Refere-se a sepultura de Jesus.

Rezada às Nove Horas da Noite.

CAPÍTULO IV - LIVRO I

ELEMENTOS DO OFÍCIO:

SALMOS E CÂNTICOS - Cantos de louvor, o mais antigo elemento do Ofício, formam sua espinha dorsal.

HINO - São cantos de louvor que imitam os salmos. Há um hino próprio para cada uma das horas.

ANTÍFONA - É um verso breve que serve como uma espécie de tema. Ela geralmente é retirada de um salmo ou de outra parte das Sagradas Escrituras. Não são apenas um tipo de oração e louvor, mas antes de tudo um método

A estrutura costuma aparecer da seguinte forma:

Antifona

Salmo ou Cântico

Doxologia

Antifona

RESPONSÓRIO - É um tipo de oração que pode ser composto de um salmo, um cântico, ou outro texto sagrado; o que o diferencia é a forma como é dito, assinalando uma resposta, marcado por V. R.

CAPÍTULO V - LIVRO I

ESTRUTURA DO OFÍCIO PARVO:

O Ofício Parvo segue o tempo litúrgico da Igreja e de acordo com o respectivo tempo tem suas orações próprias.

Portanto o Ofício Parvo apresenta orações próprias para os seguintes tempos:

TEMPO COMUM

QUARESMA

TEMPO PASCAL

ADVENTO

TEMPO DO NATAL

Basta saber em qual tempo litúrgico se está para procurar o Ofício Parvo próprio deste tempo para rezar.

CAPÍTULO VI - LIVRO I

COMO REZAR O OFÍCIO PARVO?

Primeiro – Rezar o Ofício Parvo com as orações próprias do tempo litúrgico que se está vivendo

Segundo – Rezar as horas canônicas próprias de cada dia.

Ex: Se está no advento e é segunda feira; deve- se rezar somente as horas canônicas da segunda feira do advento

Obs: Domingo é o dia do Senhor, por isto a estrutura é mais complexa e as orações são mais longas. Mas estas são próprias somente do Domingo.

EPÍLOGO

Em conclusão, Maria sempre deseja ficar muito perto de nós, e deseja que sejamos servos dela.

Para Tal, Devemos conhecê-la, Mas para conhecê-la, devemos encontrá-la, e para encontrá-la, devemos procurá-la.
 - Tratado da verdadeira devoção a Santíssima Virgem Maria.

Cônego Miguel Wandermurem
Presidente do Portal A12 de Comunicação